Começou com um TOC. O mínimo ruído já foi o suficiente para a irmã neurótica se questionar sobre o que estaria acontecendo. E eu tranquilamente respondo-lhe que não era nada, apenas nossos vizinhos anormais, que resolveram chamar a atenção novamente. Eles são assim mesmo, fazem a mudança, escutam música, discutem a relação chegam em casa, tudo nesse horário aí... são da madrugada! Sempre foi assim. Eu q não sou muito fã de TV, continuei sentadinha no sofá poluindo minha mente com telejornais quase anestésicos, e quase não sentia o vento gelado q alisava sutilmente os pés sem meia. Derrepente um TOC mais estridente. E mais uma vez a irmã grita: Meu! O que é isso? Qual é a desses vizinhos? Na tentativa de acalma-la, e voltar o quanto antes para o telejornal, sugeri que ela parasse de neuras e sei lá... Ela poderia muito bem ouvir uma música, de preferencia fechar os olhos, apertar o OFF no cérebro. E eu poderia ouvir pelo menos uma, notícia, do começo ao fim. Beleza, agora entra no quarto, faz o q eu falei e vê se me esquece. Foi o que pensei. A moça falava sobre sua filha que foi ligeiramente roubada e... PUTA QUE O PARIU! Q PORRA DE BARULHO É ESSE! Agora sou eu q tô ficando neurótica! Na verdade não era (pelo menos não ainda) os barulhos estavam se tornando infernais batutando na nossa cabeça. Como se não bastassem as marteladas da montagem do guarda-roupa na casa do vizinho ( o que poderia ser, só poderia ser..) a matriarca, senhora minha mãe, começa a berrar do outro lado da casa. Pronto! Agora o circo ta armado. Diante do olodum do vizinho (só poderia ser, tamanha farra que ele estava fazendo) estava eu sentadinha no meu sofá onde de um lado tinha a irmã neurótica e do outro lado a matriarca senhora minha mãe gritando. Agora era praticamente impossível ouvir se quer a manchete da noticia, quem dirá ela inteira. Tudo bem. Pensei... Então vamos fazer algo... Sei lá, começaremos a discutir, e aumentaremos o tom de voz bem coladas a parede, p o vizinho sacar que estamos aqui do outro lado do lado que ele está, e quem sabe, se ele for esperto, ( talvez ele não seja) ele "se liga" que estamos aqui! Genial! Idéia genial, só poderia ter saída da garota prodígio da família! Pela reação das moças que me acompanhavam durante essa noite, quem sacou fui eu, que essa idéia talvez não tenha sido tão boa assim. Tudo bem eu volto para o meu sofá... e ... Bom acho q estou ficando louca, mas o volume da minha TV esta aumentando e eu nem encostei no controle. A Irmã grita novamente, despertando-me da minha alucinação e ordena que eu abaixe o volume. Mas pera aí eu não aumentei a porra do volume... É a sua mãe que ta surtando. Garanto-lhe que é a TV dela q esta no ultimo volume, até por que a do vizinho não pode ser já que ele está imensamente ocupado desentortando a panela de pressão a base de marteladas (é pq pela barulheira, só pode ser...). Se minha sugestão naquele momento valesse ouro, estaria eu rica pq era exatamente isso. A Matriarca, senhora minha mãe, entrou na briga com o vizinho mesmo ele sem saber (pelo menos até o presente momento) e decidiu colocar a TV no ultimo volume. Efetivamente não obtivemos muitos resultados, já q o vizinho baderneiro não parou com as batucadas na pia (pensando bem acho q ele estava tentando concertar a pia....), mas pelo menos uma manchete eu ouvi... por outro lado, ninguém mais estava aguentando o som ensurdecedor da TV q nos estouravam os tímpanos, e após 5 min naquela pressão, sedemos ao inimigo. Mas eu não me rendo nunca e depois dessa, surtei tbm! estufei o peito, peguei a chave da porta, e fui até a rua pra verificar o q realmente estava acontecendo, considerando q a essa altura do campeonato na tentativa de montar o quarto do bb durante a madrugada ( sei lá, numa dessa eles ganharam um neto...) os barulhos do vizinho não incomodavam tanto quanto as duas penduradas no meu pescoço, gralhando no meu ouvido e ainda com a TV no ultimo volume! Ao sair na rua levei um tremendo susto ao olhar para o céu cheio de estrelas. Quase me esqueci o q estava fazendo ali na madrugada, com os pés sem meia no chão. Olhei para os lados, a rua apresentava-se como sempre, deserta. A luz da casa do vizinho estava acesa, e a moto não estava na garagem, mas pude confirmar, q o estardalhaço realmente vinha da casa dele. Pensei em chama-lo para conversar, pedir educadamente pra parar com o ensaio da bandinha de reciclados... mas achei melhor não. Sou curitibana, mal olho para mim mesma, quem dirá cumprimentar os vizinhos do lado! E pior q isso ainda é bater no portão deles pra informar (educadamente) q eles estão me atrapalhando! A mas bem capaz! Decidi então recolher-me aos aposentos novamente, e esquecer essas bobagens. Para tanto decidi fechar o portão com um pouquinho de brutalidade, para sei lá, de repente contribuir sonoramente com as composições da bandinha de utensílios domésticos do vizinho. 5 segundos foi o q eu consegui de silencio absoluto. Nada além disso. E as aberrações começaram a gritar, quase que sincronizando os agudos as tentativas de uma melodia desconcertante do vizinho.CACETE! Me vejo louca! Me dá esse telefone eu vou discar o 190! A irmã neurótica então fez isso por mim, e ficamos alguns minutos quase intermináveis ouvindo musiquinhas toscas, dessas d quem ta na linha esperando um humano com o mínimo de racionalidade nos atender. Poxa vida, até pra falar com a policia preciso ouvir porcarias. Ok, a irmã começa a explicar q ouve barulhos estranhos na casa do vizinho e teme q a mesma esteja sendo assaltada. É claro, pq no fundo nossa preocupação era essa.... ( na verdade desejando ferrar imensamente com o filho da puta do vizinho). Puta merda, a irmã neurótica, estava quase dormindo ao telefone, e o bendito policial q nos atendeu, só faltou pedir p nós pegarmos as armas q tinhamos escondidas nos potes de arroz e rendermos os assaltantes! Cacete me dá essa merda de telefone q eu resolvo isso! Então bruscamente peguei o telefone e comecei a dialogar com o PM. Olha só senhor, o q nós estamos tentando lhe explicar, é q algo de errado está acontecendo na casa do vizinho, os barulhos são estrondosos, estamos preocupadas com a integridade dos moradores dessa rua. Por Deus q péssima ideia me refirir desse modo ao PM. O carinha teve a pachorra de dizer q talvez fossem os moradores chegando em casa, ou sei lá, pelo jeito o carinha não tava mto a fim de trabalhar. É evidente q eu sabia q eram os moradores, mas não iria ligar pra policia pedindo para q eles viessem a minha rua parar com a terapia musical que estava rolando na casa ao lado ( é pq só poderia ser...). Falei mesmo q mais parecia um assalto, e q por precaução, talvez fosse melhor uma viatura fazer uma ronda na região. Na verdade eu só queria q o maldito barulho parasse. Acontece q o PM, estava dificultando demais o acesso deles até a rua da minha casa, e minha paciencia q não estava la mto boa, foi detonada em poucos segundos de conversa com o engraçadinho intolerante q me atendeu. Eu simplesmente disse-lhe q se a minha casa ou a do meu vizinho fosse assaltada a responsabilidade não seria minha. O cara desligou na minha cara o q me deixou mais emputecida ainda! Ta certo q eu estava gritando com ele, tudo bem, eu entendo... Mas era por uma causa nobre. A matriarca senhora minha mãe queria dormir, a irmã neurótica queria dormir, eu queria ver todo mundo dormindo e poder assistir um noticiário na TV, bem tranquilona. Enquanto isso o vizinho fazendo batucada de madrugada? Cacete o PM do outro lado da linha q me fez aguentar esse circo desde as 22:00h da noite com batucada de vizinho inconveniente, matriarca berrando d um lado, irmã neurótica de outro, musiquinha de fila d espera para atendimento telefônico ainda faz o favor de desligar na minha cara? Certeza q ele pensou q eu era louca... talvez não fosse mas naquele momento eu estava sim senhor. Depois dessa quis mesmo era mandar todo mundo p o espaço, e decidi fazer o q queria desde o começo, com percussão a base de improviso ou não! Respirei fundo e ainda com o telefone na mão, não me conformei com a ignorância do PM. Ok o vizinho não deu trégua e derrepente a filha dele chega de carro. A irmã neurótica saiu correndo abrindo a janela pra falar com a fulana vizinha. A mesma realmente confirmou q eram eles que produziam as sonoridades bizarras na casa ao lado, porém, afirmou q estavam apenas arrumando o forro, pra poder dormir, pq foram assaltados. PIMBA! Se ter previsões em diálogos com PM ignorantes por telefone desse ouro estaria eu rica! Saí berrando pela casa! Inclusive abri bruscamente a porta do quarto da matriarca pra lhe contar o bafo! Não sei como, mas ela parecia já estar dormindo... Após o diálogo breve com a vizinha, decidimos então continuar com nossos afazeres. Mas foi eu sentar no sofá novamente e ouvir o boa noite do repórter, q a minha frustração noturna aumentou, principalmente depois de reparar q uma viatura da polícia estava fazendo ronda bem na rua da minha casa. poxa vida mas q engraçado eles vieram mesmo. Fiquei apavorada! Até ha alguns minutos atrás a vizinha nos falou q não tinha interesse algum em chamar a policia, pois sabia q nada eles iriam fazer p resgatar os pertences dela ( muito menos p resgatar meu sossego noturno). Puta merda, tive q sair na rua de novo, dessa vez para ter um tete a tete com os PM, q me olhavam com desconfiança. Expliquei q consegui descobrir o q havia acontecido, ( na verdade disse de supetão q a casa do vizinho tinha sido assaltada, como se tivesse sido uma premonição minha...) assinalei com o dedo a casa do vizinho e vagarosamente fui de costas mesmo, até a porta da minha casa, tentando amenizar a sensação de q ferrei com a historia toda. Os PMs conversavam com a vizinha q não estava muito a fim de papo. Depois d fechar a porta, a irmã histérica e a matriarca estavam em pé, quase como morto-vivos q surgem do nada com uns riscos sobre a cabeça q mais se pareciam com pontos de interrogação. Durante alguns segundos fiquei estática com aquela cara de quem é recepcionado por uma festa surpresa, e simultaneamente as 3 começam a falar sobre suas suspeitas em relação ao vizinho. Desenvolvemos todas a linhas de pensamentos dessas do tipo teoria de conspiração, até chegarmos a conclusão de q talvez nosso vizinho sairia na capa do jornal na manhã seguinte algemado, acusado de máfia e tráfico de drogas onde escondia o produto no forro da casa.