6 de março de 2010

Eu observo a vida dela desde sempre, eu sei como ela faz café nos mínimos detalhes, primeiro ela pega a lata cor-de-rosa, abre e cheira por três segundos, fecha a lata cor-de-rosa, vai até o armário e abre a segunda gaveta do lado esquerdo, tira uma colher de inox, se abaixa e abre a porta do meio, tira um coador marrom e filtros de papel, então ela caminha até a pia e coloca filtro de papel no coador, segura a colher entre os dedos e acende o fogo, a boca direita da frente. Ela abre a lata cor-de-rosa e coloca cinco colheres cheias de café no filtro de papel, coloca o coador marrom em uma chaleira e espera as bolhinha de água aparecerem, desliga o fogo e passa o café com um meio sorriso. Esse café é consumido em menos de quarenta minutos, acompanhado de dezesseis cigarros. Ela se senta na mesa de vidro, abre seu caderno e fica ali, por toda a manhã. Eu observo a vida dela desde sempre, por isso afirmo ela é uma trapezista, com uma única diferença: não ganha dinheiro por andar na corda bamba. Mais ela anda na corda bamba, ela se equilibra desde que nasceu. A cabeça dela é cortada no meio por uma linha muito fina, a sua loucura, ela precisa estar sempre alerta, se pisca o olho ela cai. Ela não tem medo de cair, mais se cai se perde de si mesma.Ela fica confusa e comete enganos e de cometer enganos ela não gosta.Ela sabe que tem atrás dos olhos bolinhas de luz piscando o tempo todo, mais quando ela se desequilibra esquece e acha que são monstros.

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