Juca Martins
28 de agosto de 2009
ovos fritos
... foi no último soprar de nicotina que senti o pulmão doer numa dor aguda, apaguei o cigarro e disse a mim mesma que já é hora de largar o vicio...mão sobre mão e os olhos perdidos na parede branca que preenchia o vazio do quarto...acendi outro cigarro...não, não vou morrer tuberculosa, como os ídolos de minha vida, o que sufoca o peito é essa falta sei lá de que... é que nasci com um vazio no peito...o mar majestoso ao redor está violento e acima da minha cabeça a tempestade dança com seus raios coloridos sobre o cinza do céu... se ao menos derramasse de vez a chuva sobre a terra... água...vida...deixaria de ser tão vazio esse meu vazio...há uma mancha no teto... um demônio dança com sua cundaline...na verdade um demônio e um anjo já que a mancha que desenha o corpo se estende formando uma asa...metade demônio metade anjo, pois, o rachado do teto corta o corpo no meio...o anjo sem rosto me fita...inerte com sua asa de nuvem, mais, é o demônio que me atrai com sua dança pornográfica, não que eu seja a pessoa mais devassa do mundo, esse anjo é que não me comove seu rosto escondido pela tinta branca e uma asa de nuvem tão infantil quanto algodão doce...não vê ele que o demônio me tenta? não reage...só observa...um barulho na porta perturbando o silêncio do mundo...não, não vou abrir...que insistência, bate na minha janela, chacoalha árvores, provocou tanto um cachorro que agora ele late desesperado...a última vez que ventou assim levou-me embora todas as rosas... ladrão de jardim... será que é por isso rosa dos ventos a rosa-dos-ventos? pois na primavera quem vem planto margaridas...brancas e amarelas...que horror, ia parecer um campo de ovos fritos...pois então faço um jardim de bananas que são forte e cheiram doce...
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